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A PAIDEIA CRISTÃ

            O que é paideia? Esta é uma palavra importante. Como indicou certo autor, paideia é tão importante que já se escreveram volumes acerca dela.  “Paideia (παιδεία) é um termo do grego antigo, empregado para sintetizar a noção de educação na sociedade grega clássica. Inicialmente, a palavra (derivada de paidos (pedós) – criança) significava simplesmente “criação dos meninos”. Porém este termo é ainda mais rico, porque refere-se a um processo de educação no qual os estudantes eram submetidos a um programa que procurava atender a todos os aspetos da vida do homem. Igualmente, paideia tinha o propósito de trazer ao indivíduo uma comunhão com o cosmos, tanto que os antigos acreditavam que existia a possibilidade de comunhão com os deuses.

            Por conseguinte, os gregos estavam preocupados com a harmonia entre a verdade e a realidade, ou a simetria entre o universo e o homem. Logo, a paideia era a formação do indivíduo de forma que adotasse os princípios cósmicos para que assim este se tornasse um cidadão da polis (cidade)[1]. No texto de Efésios 6.4, Paulo tem este modelo de educação em mente. Ele escreve: “4E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os (nutrir; sustentar) na disciplina (Paideia) e na admoestação do Senhor.[2]”. O Apóstolo Paulo ordena aos pais que, em vez de exasperarem os filhos devem formar integralmente estes seres humanos conforme a Palavra de Deus.

Paideia em Provérbios

            Salomão era um homem famoso, o Cristiano Ronaldo do aconselhamento, e destacou-se dos grandes sábios da sua época (1Rs. 4.30-31[3] [4]). Ele foi habilidoso em sua época e por essa razão a sua sabedoria era mais procurada do que riquezas.

            Contudo, mesmo escrevendo grande parte do livro, Salomão não criou a literatura sapiencial; este género literário já era comum em outras nações desde 2045 a.C., e até na cultura judaica já estava presente este espírito de sabedoria. Havia muitos sábios naquela época (1Cro. 27.32-33)[5] como também vários ditos de sabedoria: o provérbio de Davi (1Sam. 25.13)[6]; o enigma de Sansão (Jz. 14.14; 1.6); entre outros (…). Todos estes exemplos confirmam uma tradição viva de sabedoria[7]. Além do mais, é importante realçar que tanto a verdadeira sabedoria, como a Lei e a profecia caminhavam juntas para desafiar, instruir e exortar Israel, e isto é claramente visto em Oseias 4.6[8], Provérbios 29.18[9].

            Contudo, apesar de tudo isto, qual é o propósito do livro de Provérbios? É claro que o próprio rei Salomão recebe grande parte desta instrução do seu pai (Prov. 4.3-4), e logo quando sobe ao trono reconhece humildemente a sua necessidade de sabedoria para reinar sobre o povo de Deus (2Cro. 1.10)[10] que por sua vez já deveria ser uma nação sábia visto ter recebido os oráculos de Deus.

            Alem disto, Provérbios pressupõem certos factos que precisam ser considerados. Primeiro, a realidade e influência do pecado. A queda do ser-humano, descrita em Génesis 3 afetou profundamente tanto o mundo como a alma do Homem. O seu profundo desejo era experimentar uma sabedoria à parte de Deus. Certo comentarista coloca as coisas desta forma: “A queda do homem era a escolha daquilo que mostrou boa probabilidade de dar conhecimento (3.6), mas que desrespeitou o primeiro princípio da sabedoria, a saber: o temor do Senhor.” [11]

            Segundo, Provérbios firma-se na lei mosaica. É sumamente importante ver que o que Israel recebeu no monte Sinai tornava a nação sábia, aliás, o texto diz que a própria lei é a sua sabedoria: (Deut. 4.6) “Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente.[12]”. Portanto a obediência a esta lei fazia do povo sábio. É também essencial acrescentar que assim como a lei colocava Israel diante da escolha da vida e da morte, Provérbios também apresenta esses dois caminhos na sua temática.

            E por fim, Jesus Cristo é a fonte de toda a verdadeira sabedoria. O Capítulo 8 de Provérbios descreve as origens de Sophia, e na minha opinião, esta não é uma personificação de Jesus, antes aparenta ser um relato histórico de: 1) como nasceu a sabedoria (8.22-25), e 2) como foi usada na criação (8.26-31). Portanto, como o Senhor Jesus não teve início nem foi uma mera ferramenta para criar, somente podemos concluir que Ele deu origem tanto ao mundo como à própria sabedoria (Col. 2.3[13]), por isso o conhecimento que está no homem e na criação não surgiu do nada nem do acaso.

            Ora bem, com isto em mente, Provérbios tem o objectivo de responder às questões práticas da vida. Certo autor escreveu: “Ler um provérbio não leva mais que uns poucos segundos; aplicar um provérbio pode levar uma vida inteira[14]. Este livro ensina-nos que a boa vida está em procurar a Sabedoria de Deus.

            E o que é a sabedoria?  Sabedoria é “a capacidade de viver a vida com habilidade[15] e perícia, por isso o livro inicia com uma visão educacional que formará os nossos filhos à imagem de Deus: (1.1-7) 1Provérbios de Salomão, filho de Davi, o rei de Israel. 2Para aprender a sabedoria e o ensino; para entender as palavras de inteligência; 3para obter o ensino do bom proceder, a justiça, o juízo e a equidade; 4para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso. 5Ouça o sábio e cresça em prudência; e o instruído adquira habilidade 6para entender provérbios e parábolas, as palavras e enigmas dos sábios.7O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.[16]

Fundamentos para uma Educação Sábia:

  1. A educação cristã começa pela reverência ao único Deus verdadeiro: (1.7) O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.; (2.6) A educação não começa com o filho, mas com Deus. Logo, temos de ensinar aos nossos filhos que ser um bom cidadão é mais do que obedecer às leis ou declarações humanas, é temer a Deus. A verdadeira formação para a cidadania está no temor do Senhor que é o princípio da sabedoria. Portanto, o currículo que permitimos sobre os nossos filhos define o deus que tememos.
  2. Os progenitores, principalmente o pai, são os garantes máximos da educação dos seus filhos: (1.8) Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe.; (4.10) Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os anos de vida.; (4.20) Filho meu, atenta para as minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos.; (6:20) Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe; (13.1) O filho sábio ouve a instrução do pai, mas o escarnecedor não atende à repreensão.; (23.22) Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer.; (23.26) Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.. No sistema em que vivemos, os pais são elementos secundários na educação dos filhos. Podem ensinar alguns princípios de boas maneiras, mas não lhes é permitido formar a alma da criança. Os pais recebem uma autoridade dada por Deus para aplicar, regular e garantir o tipo de pedagogia que o Senhor demanda. Portanto, enquanto a escola secular é mediadora do Estado para educar, o pai cristão é o mediador de Deus.
  3. A educação sábia pressupõe a existência de Deus como central para todas as matérias: (2.6) 6Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.; (3.5-6) 5Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. 6Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.; (3.18-21) 18É árvore de vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm. 19O Senhor com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus. 20Pelo seu conhecimento os abismos se rompem, e as nuvens destilam orvalho. 21Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos; guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso;. A pedagogia secular quer erradicar Deus do currículo, porém, para oferecer uma educação cristã aos nossos filhos eles têm de pressupor que o mundo à nossa volta só faz sentido com Deus. Têm de estudar matemática, ciências, história, geografia, filosofia, ética, lógica, política, etc., com a Bíblia ao lado. A história universal e tudo o que contém pertence a Deus, existe por Ele, permanece por meio Dele, encontra seu significado Nele e no final dar-lhe-á glória. Por isso, se assim não o fizermos estaremos a dizer aos nossos filhos que Deus só governa e habita dentro das quatro paredes da igreja e é desnecessário fora dela; e, por isso, podem ter duas vidas uma religiosa e outra secular.
  4. Os pais têm de ser depósitos de conhecimento para os filhos: (18.15) O coração do sábio adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios procura o saber.; (4.1-7, 10-11) 1Ouvi, filhos, a instrução do pai e estai atentos para conhecerdes o entendimento; 2porque vos dou boa doutrina; não deixeis o meu ensino. 3Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro e único diante de minha mãe, 4então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; 5adquire a sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes. 6Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá. 7O princípio da sabedoria é: Adquire a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento. (…) 10Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os anos de vida. 11No caminho da sabedoria, te ensinei e pelas veredas da retidão te fiz andar. Como mestres dos nossos filhos temos de educar-nos para educar. Logo, se como educadores não lemos livros, não estudamos a Bíblia, não meditamos acerca de assuntos profundos, não estamos atentos à cultura e às tendências, não pedimos sabedoria a Deus “que a todos dá liberalmente (Tg 1.5)” e não nos preparamos para “responder a todo aquele que (…) pedir razão da esperança que há em” nós. Então, o professor ateu, o colega com uma vida sexual ativa, o Instagram, um vlogger fútil, ensinarão com toda a habilidade os nossos filhos. Logo, o pai que não se educa estará a passar um certificado de impiedade ao seu filho.
  5. Para uma educação integral a vara é necessária: (22.15) A estultícia (estupidez) está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.; (17.21) O filho estulto é tristeza para o pai, e o pai do insensato não se alegra.; (29.15) A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.; (29.17) Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma.  Só existe uma coisa que arranca a estupidez e a futilidade da juventude, não é a escola pública, é a vara que está na tua mão. Portanto o pai que não o fizer, não terá paz no seu futuro.
  6. A educação não é um fim em si mesmo, Deus tem de ser o propósito: (22.17-19) 17Inclina o ouvido, e ouve as palavras dos sábios, e aplica o coração ao meu conhecimento. 18Porque é coisa agradável os guardares no teu coração e os aplicares todos aos teus lábios. 19Para que a tua confiança esteja no Senhor, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo.
  7. A educação sábia requer repetição: (1.8) Filho meu, ouve (…); (3.2) Filho meu, não te esqueças (…); (3.11) Filho meu, não rejeites (…); (3.21) Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos (…); (4.1) Ouvi, filhos (…); (4.20) Filho meu, atenta para as minhas palavras (…); (6.20) Filho meu, guarda o mandamento (…); (23.19) Ouve tu, filho meu (…); (23.22) Ouve a teu pai (…).
  8. Uma educação cristã procura rodear o aluno de colegas e mestres sábios: (5.12-13) 12e digas: Como aborreci o ensino! E desprezou o meu coração a disciplina! 13E não escutei a voz dos que me ensinavam, nem a meus mestres inclinei os ouvidos!; (13.20) Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau.. O ambiente do sistema de ensino público promove mais a insensatez do que a sabedoria. O autor de Provérbios descreve essa comunidade como aqueles “que deixam as veredas da retidão, para andarem pelos caminhos das trevas; 14que se alegram de fazer o mal, folgam com as perversidades dos maus, 15seguem veredas tortuosas e se desviam nos seus caminhos (2.13-15)”. Por isso, os pais que pensam que os seus filhos têm a capacidade para sozinhos subverter essa cultura, é melhor que os enviem antes para a igreja dos mórmons para ganhar toda a instituição com o evangelho.
  9. A verdadeira educação cristã, mais do que as acções, quer formar o coração dos filhos: (23.26) Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.


[1] Os antigos criam que os seres humanos faziam parte de um microcosmo que reflete o macrocosmo.

[2] Sociedade Bíblica do Brasil. (2003). Almeida Revista e Atualizada, com números de Strong (Ef 6.4). Sociedade Bíblica do Brasil.

[3] 30Era a sabedoria de Salomão maior do que a de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios.31Era mais sábio do que todos os homens, mais sábio do que Etã, ezraíta, e do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol; e correu a sua fama por todas as nações em redor.32Compôs três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco.33Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes.34De todos os povos vinha gente a ouvir a sabedoria de Salomão, e também enviados de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria.

[4] “O Salmo 88 foi escrito por Hemã, e o Salmo 89, por Etã. Eles eram dois de uma família de cinco irmãos famosos listados neste versículo que pertenciam à tribo de Judá.” (Biblia de Estudo Palavra-Chave Hebraico e Grego. 4. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.)

[5] 32Jônatas, tio de Davi, era do conselho, homem sábio e escriba; Jeiel, filho de Hacmoni, atendia os filhos do rei.33Aitofel era do conselho do rei; Husai, o arquita, amigo do rei.

[6] Dos perversos procede a perversidade, diz o provérbio dos antigos; porém a minha mão não está contra ti.

[7] Como este mundo foi criado por Deus, a sua sabedoria está gravada no cosmos. Embora isto nos seja estranho, a verdade é que os descrentes também podem ser bastante sábios. Aitofel é um excelente exemplo, porquanto mesmo sendo um traidor contra o Rei Davi era considerado um dos homens mais sábios da nação (2Sam. 16.23; 17.14). Além disso, “a sabedoria pratica, mais semelhante à de Provérbios” é muito antiga, comum no Egipto e Babilonia. Com respeito ao último foram encontrados textos que demonstram uma “(…) mistura de moralidade sadia, moralidade duvidosa, humor astuto e simples bom-senso que se encontra nos ditos populares de qualquer nação[7]”. Portanto, naquela altura este era o clima intelectual dentro e fora de Israel, entre os crentes e descrentes, esta pode ser uma das razões que impulsionou o interesse pela busca da sabedoria de Salomão (1Rs 4.34, 10.24).

[8] O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.

[9] Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.

[10] Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que eu saiba conduzir-me à testa deste povo; pois quem poderia julgar a este grande povo?

[11] R. Derek Kidner, Proverbios Introdução e Comentário, SÉRIE CULTURA CRISTÃ, pág. 16..

[12] Sociedade Bíblica do Brasil. (2003). Almeida Revista e Atualizada, com números de Strong (Dt 4.6). Sociedade Bíblica do Brasil.

[13] em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

[14] Wilkinson, Bruce. Descobrindo a Bíblia / Bruce Wilkinson, Keneth Boa – São Paulo: Editora Candeia, 2000, pág. 176.

[15] Ibid, pág. 177.

[16] Sociedade Bíblica do Brasil. (2003). Almeida Revista e Atualizada, com números de Strong (Pv 1.1–7). Sociedade Bíblica do Brasil.

 

A importância da Educação?

 educação é um assunto tão importante quanto polémico. Não é só uma inquietação para os progenitores senão também para os governos. Para todos a formação académica da futura geração, é tão necessária, que estamos dispostos a investir muito tempo, dinheiro, regulamentações e outros recursos com o fim de atingir esse objectivo. Logo, educação é importante para todos.

            Embora seja difícil, para muitos, definir o que é educação (algo que tentarei fazer mais adiante), é importante reconhecer, juntamente com os promotores da educação clássica, que esta é mais do que uma ciência, é uma arte. Eu até acrescentaria que educação é algo que os seres humanos fazem, e que é natural e inevitável.

            Todos educamos de alguma maneira, por isso a pergunta é se o fazemos bem, ou mal. E quando digo bem ou mal, não me refiro apenas à forma de educar, mas também aos fundamentos e pressupostos que regem a educação. De onde vem a arte ou a ciência de educar? Porque é que a educação é uma habilidade tão natural aos seres humanos? E, para quê educamos?

            Obviamente, neste estudo pretendo defender que a única educação legitima é aquela que parte de uma cosmovisão centrada em Jesus (Jo. 1.1-5)[1]. O que quero dizer com isto? Quero dizer que Jesus tem de ser reconhecido como o centro da Criação através de quem tudo subsiste (Col. 1.15-17)[2]. Por outras palavras, a visão cristã de mundo é a única capaz de definir o que é educação na sua origem e propósito. Porque Deus é que criou a educação.

            Quanto a este ponto, como cristãos, temos de ser dogmáticos, obtusos e quadrados. Creio que a cosmovisão cristã é a única que dá uma explicação legítima e verdadeira do cosmos que nos rodeia. E se o pressuposto não for o Logos (A Palavra; Jesus), de quem proveem todas as coisas, então nada poderá, de maneira consistente, fazer sentido.

            Logo, se o temor do Senhor não é o princípio da sabedoria (Prov. 1.7), e se Jesus Cristo não é a fonte de todo o conhecimento (Col. 2.3), então o humanismo e o naturalismo têm razão, e o Homem é o ponto de início de todo o conhecimento e a medida de todas as coisas.

            Contudo, como nego este pressuposto, pelo motivo de não existir outra autoridade superior às Sagradas Escrituras, assumo que Deus é a origem, a razão e o fim da educação. Ou é Deus ou o Homem quem define a realidade.

            Dito isto, parece que consigo antecipar as objeções: “Isso significa que só os cristãos é que têm acesso à verdade?”; “Somente eles é que podem entender o mundo à sua volta?”. Claro que não!

            Tanto cristãos como budistas, agnósticos e ateus podem entender e aceitar que 1 + 1 é igual a 2. Acreditamos que existe uniformidade nas leis físicas e lógicas do nosso mundo. Contudo, somente o sistema cristológico poderá justificar de maneira coerente porque é que 1 + 1 é igual a 2, ontem, hoje, amanhã e para toda a eternidade, em qualquer cultura, e em qualquer planeta.; e também porque é que este resultado abstrato está em harmonia com a realidade.

            Por isso chegamos a uma bifurcação. Usando a pergunta de R. L. Dabney, quem deveria controlar a educação? E, qual é a educação apropriada? Toda a educação se baseia em algum credo, portanto, só existem duas opções: o Estado secular ou a Bíblia; ou o humanismo ou o cristianismo; ou o credo da psicologia moderna ou o credo dos apóstolos. Usado as palavras de certo escritor: “(…) O radical da palavra – credenciação – é credo. “Eu creio. Se o Estado é nosso Senhor, buscamos a aprovação e permissão do Estado. Se Cristo é nosso Senhor, buscamos a – credenciação – da Sua Palavra.[3]

O que é Educação?

            O conceito de educação é um pouco difícil de definir, contudo, permitam-me usar as definições de dois educadores experientes.

            Filipe Fontes: Educação é o processo pelo qual nos tornamos seres humanos maduros; onde potencialidades humanas são afloradas ou desenvolvidas; A educação pode ter um processo formal ou informal; no que se refere à sua informalidade, tudo tem um impacto pedagógico[4]; por outro lado, a educação formal é levada a cabo por instituições desenhadas para isso. Relativamente à educação cristã, esta funciona com os pressupostos da revelação bíblica”.

            Solano Portela: “Educação não é somente transmissão de conhecimento, contempla também a internalização do que é transmitido; no hebraico os conceitos – ensinar – e – aprender – são designados com uma mesma palavra”.

            Não obstante, gostaria de adicionar uma outra ideia, que acaba por complementar o que mencionei. A meu ver, a educação é mais bem compreendida se assimilarmos o que é um ser humano e a razão da sua existência. Visto que educar é algo que só os humanos fazem, então a definição de educação está na razão pela qual existe. Ora, se sou criado à imagem e semelhança de Deus e por conseguinte a minha missão é transmitir a sua glória, concluo então que educação é mais que formação, é adoração.

            Os educadores seculares, inconscientemente creem neste princípio.  O Dr. David Justino, no seu ensaio “Difícil é educá-los”, escreve: “(…) educar para quê? A adequação dos desempenhos às finalidades socialmente reconhecidas como relevantes e indispensáveis ao desenvolvimento de uma sociedade é a medida mais ajustada dessa ideia de melhor educação. Para isso é necessário definir claramente onde se pretende chegar (…). Ou seja, a primeira responsabilidade de quem pretende contribuir para melhorar a educação de um país é a de definir (…) um modelo de sociedade que se pretende estruturar e uma estratégia que o possa viabilizar e concretizar.” Educação é adoração. E nós adoramos pela nossa religião, que é regida pelo deus que confiamos; portanto, a questão seria a quem adoramos afinal. Existe uma ideia predominante na nossa sociedade que define religião apenas como algo associado a igrejas, denominações, ordens monásticas, credos de fé, ministros de culto, o sobrenatural, as divindades, etc. Porém, não é apenas isso, religião é o sistema de crenças que move a vida do ser humano, mesmo que não apelem a uma entidade sobrenatural. Ou seja, aquilo que define e orienta a nossa vida, o valor mais elevado do nosso ser, o topo da hierarquia dos nossos valores, é o nosso deus; e esse “deus” dita a nossa religião.

A ideia Secular

            O nosso país tem muitos séculos de história, porém poucas décadas como nação democrática. Sabemos que: “A Revolução de 25 de Abril de 1974 marca o início da vida democrática em Portugal. O golpe militar conduzido pelo Movimento das Forças armadas (MFA) põe termo ao regime autoritário do Estado Novo, abrindo (…) para a democratização e o desenvolvimento do país.”[5]

            Obviamente, não é a partir deste momento que temos a escola “pública”, mas talvez seja a partir deste ponto que começa a haver um maior investimento por parte do Estado para que tenhamos um sistema educativo como agora o conhecemos.             Embora seja a revolução de 25 de Abril o motor de arranque para este grande empreendimento educativo secular, houve na história europeia outras “revoluções” que abriram as portas para o secularismo, entre estas o Iluminismo (“movimento cultural e intelectual (…), que se verificou sobretudo durante o século XVIII, caracterizado pela crença na razão como ferramenta válida para o progresso da humanidade e por uma atitude crítica perante as formas políticas e religiosas tradicionais [6];”), a Revolução Francesa, e outros. O meu objetivo não é falar destes eventos, e sim ressaltar algo importante que se desenvolveu ao longo da nossa tumultuosa história. Isto é, que estes acontecimentos, de certa maneira, incrementaram a noção de que a secularização é a solução e o futuro da nossa sociedade. Contudo, convém esclarecer  o que é o secularismo.

O que é “secularismo” ou “humanismo secular”?

            “Modo de vida e de pensamento que é seguido sem referência a Deus ou à religião. (…)”. É uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina para (…) o natural mais do que o sobrenatural. O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. Historicamente (…) no sentido institucional, secularização ainda significa a redução da autoridade religiosa formal na educação.

            Uma segunda maneira de se entender secularização está ligada aos modos de pensar e viver, para longe de Deus e em direcção a este mundo. (…) O humanismo secular (…) glorifica a criatura e rejeita o criador. (…) como tal, constitui-se num rival do cristianismo[7].   

            Por nenhum momento devemos acreditar que a secularização da cultura torna a nossa sociedade um terreno neutro e puramente pluralista[8], isso é ilusão. Além do mais, é ainda maior ingenuidade crer que o secularismo é favorável ao cristianismo, porquanto este eliminou em plena praça pública, não todos, porém um Deus, o cristão. Igualmente, tal dogma humanista é, de certa maneira, responsável por tornar o homem radicalmente autónomo e por consequência, amoral. Portanto, usando as palavras do Dr. António Monteiro da UCP[9], o que efetivamente “concorreu também para a amoralização” foi “o fenómeno da secularização[10]. E acrescenta que a secularização surgiu auxiliada pela “autonomia das realidades terrenas do protagonismo do homem na condução da história, da queda dos deuses”. Com isto em mente a Lei de Deus está descartada pelo espírito da era, o que obviamente transpõe-se para a escola estatal.

O Sistema Educativo é humanista secular

            Lei de Bases do Sistema Educativo:  a) O Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas; b) O ensino público não será confessional; 5 – A educação promove o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva.  O sistema educativo organiza-se de forma a: b) Contribuir para a realização do educando, através do pleno desenvolvimento da personalidade, da formação do carácter e da cidadania, preparando-o para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos e proporcionando-lhe um equilibrado desenvolvimento físico; c) Assegurar a formação cívica e moral dos jovens;

       O Estado define claramente o programa no seu credo! Como disse Daniel Oliveira (jornalista de esquerda) num debate da SIC: “a escola não é neutra, a escola tem valores, o Estado tem valores; que são aqueles que estão na Constituição da República, Declaração dos Direitos Humanos e nos vários documentos dos quais o Estado como um todo se compromete. E esses valores[11] estão na escola.” Portanto, o ponto tem de ser claro para nós; o Estado tem os seus valores, pressupostos, dogmas, confissão, que irão sem sombra de dúvida determinar a sua narrativa e prática, por isso, não é neutro quando usa a ferramenta do sistema educativo. Dito de outra forma, o Estado não é neutro quanto ao facto de os pais serem ou não a autoridade máxima sobre os filhos; nunca poderá ser neutro quanto às implicações de um cristianismo bíblico; não é neutro quanto ao criacionismo e o evolucionismo; não o é quanto a questões de género e sexualidade; não é neutro quanto ao aborto; e também não o será quanto ao tema da eutanásia.     Porém, a nossa cultura cristã crê numa certa neutralidade por parte do Estado e consequentemente do sistema educacional. Certo autor escreveu o seguinte sobre este ponto:Por muito tempo, os cristãos acreditaram na existência de uma arena de neutralidade e imunidade em que humanistas e cristãos poderiam discutir temas baseados no estudo “objetivo” dos fatos.  Infelizmente, os humanistas jamais adotaram o mito da neutralidade (…). Enquanto vendiam aos cristãos os bens estragados da neutralidade, (…), da tolerância e do pluralismo, os humanistas promoviam e implementavam sua cosmovisão em todas as áreas da vida, negando o que, segundo eles, deveríamos crer. Desafortunadamente muitos cristãos ainda acreditam que a neutralidade é possível e que os humanistas buscam a objetividade na educação. Nada poderia estar mais distante da realidade. Todos os fatos são fatos interpretados, e os humanistas buscam interpretá-los sem qualquer consideração por Deus e sua Palavra. Opiniões contrárias em relação aos fatos não são consideradas. O Estado determinou o padrão pelo qual devemos interpretar os fatos. Os humanistas compreenderam isso há muito tempo, e por isso seu interesse passou a ser capturar (…)o governo civil de forma a controlar os meios para perpetuação da sua cosmovisão. A teoria social humanista transformou a educação em deus, o deus que eles agora controlam.[12]        Ora, dito isto, será que o sistema secular é um intermediário “imparcial” entre a nossa fé e a nossa liberdade? Não creio, e isto consequentemente reflete-se no sistema educativo.

O Propósito do Sistema Educativo das Sociedades Contemporâneas

            “As sociedades contemporâneas, fascinadas pela ideia de progresso e orientadas pelos novos valores da modernidade, (…), desde muito cedo compreenderam que era indispensável dispor de um sistema de ensino capaz de formar e capacitar as novas gerações (…).

            Formar cidadãos, torná-los conhecedores e capazes de exercer de forma responsável os seus direitos e deveres, (…), foi a primeira necessidade que os regimes liberais do séc. XIX invocaram para eleger a educação como um dos instrumentos decisivos na construção de uma identidade de dimensão nacional capaz de superar os laços e valores tradicionais e característicos das sociedades do Antigo Regime.[13]

            Esta citação acima revela-nos claramente qual é a motivação e o propósito do governo português para com a educação. O fim é claro, a formação holística do indivíduo. Usando termos mais religiosos, seria educar indivíduos para ser à imagem e semelhança do Estado.  

            No contexto português, a partir da segunda metade do séc. XIX, o desenvolvimento da rede pública de escolas, não tinha apenas o simples propósito de satisfazer as necessidades rudimentares de escolarização (saber ler e escrever). Os líderes políticos ansiavam por mais. (…). O Dr. David Justino esclarece este ponto, escrevendo: “Mais que formar cidadãos livres e responsáveis, conscientes dos seus direitos e deveres, pretendia-se definir um padrão de formação, selecionar e hierarquizar os conteúdos, incutir determinados valores, disciplinar as condutas, de acordo com uma norma que identificaria o «cidadão exemplar».”

            Somente nos resta perguntar; o que significa, para um sistema secularizado, “uma norma que identificaria o cidadão exemplar.”? O que significa “norma” e “cidadão exemplar” na sala de aula portuguesa no séc. XXI?

            Esta ideia de o Estado alargar a educação a toda a população, com o intuito de doutriná-la conforme os seus ditames, foi vista, pelos defensores da “socialização familiar”, como algo estranho e suspeito.  Em meados do séc. XIX, era comum, em Portugal, as chamadas escolas livres, estas desenvolveram-se pela iniciativa de comunidades locais, professores, e com o apoio de organizações religiosas. Ensinavam leitura, escrita, formação cívica, moral e religiosa.

            Contudo, para o governo, este exercício de educação privada e livre, salteada de tradição cristã, é contraproducente para um Estado moderno cujo fim principal é: “(…) assegurar uma oferta que contrariasse o domínio de outras instituições, nomeadamente religiosas, e que afirmasse o princípio da laicidade não só do Estado e da sua administração, mas, bem mais importante, a laicidade[14] da formação das novas gerações[15].”

            Com isto em mente, o Estado português, concluiu gradativamente que não podia ser apenas um regulador do ensino, mas teria de tornar-se um “garante do ensino para todos”. “A partir daqui foi um pequeno passo para a estruturação de um Estado educador que assumia perante a sociedade a responsabilidade de formar as novas gerações. Além de assegurar as condições materiais de ensino, passou-se para a imposição de quem ensina, do que ensina e como ensina.”[16]

            Portanto, torna-se o Estado o nosso “encarregado de educação”, o nosso “papá”, o nosso “senhor”, no que diz respeito à educação. Logo, tem o “direito” e “dever”, não só de definir estratégias para que a nação seja “devidamente” educada (direito de cada cidadão), como também assegurar que cada cidadão cumpra a sua “obrigação” de frequentar a escola pública. Usando as palavras do Dr. David Justino, o Estado português estendeu “o seu poder coercivo a um sector aparentemente destinado ao jogo da livre escolha das famílias.” (…).

            Podemos afirmar então que, aos olhos do Estado, não são as famílias soberanas sobre a educação dos seus filhos, são apenas meros “reguladores de ensino”. E se a educação não for conforme o estipulado pelo Governo, mais cedo ou mais tarde este não poderá tolerá-lo. Portanto, creio que futuramente não haverá Constituição que proteja a Igreja contra César.

            No 4º Debate cujo tema era “A Escola pública e a Educação em Portugal: presente e futuro”, uma das palestrantes do painel foi questionada com o seguinte: “Qual é o papel que a escola publica deve ter?”. Ao qual respondeu: “Creio que a escola pública deve ser um espaço de conhecimento, de formação de cultura integral do indivíduo muito mais que um instituto de emprego e formação profissional.”. E isto, meus irmãos, é a aculturação providenciada pelo sistema público.  Portanto terminamos esta secção com uma preocupação, qual é a solução para a nossa geração cristã? Que tipo de educação deve formar integralmente os nossos filhos?      Será que queremos formar uma geração sem absolutos, cujo a única convicção é a neutralidade e a única verdade é a subjetividade? É necessária uma educação que instrui o carácter das crianças conforme a Lei de Deus.

            Concluo com as palavras do Pastor Tedd Tripp: “Na ausência duma instrução bíblica, os instrutores da formação secular assumem o controlo[17]”.

[1] 1No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.2Ele estava no princípio com Deus.3Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.4A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.5A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

[2] 15Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;16pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.17Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.[2]

[3] DeMar, Gary. Quem controla as escolas governa o mundo (p. 63). Editora Monergismo. Edição do Kindle.” 

[4] Definição: “teoria da arte, filosofia ou ciência da educação, com vista à definição dos seus fins e dos meios capazes de os realizar”

[5] https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/democracia.aspx

[6] https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/iluminismo

[7] Enciclopédia histórico-teológica da igreja Cristã Vol. 3. Edições vida nova, Março 1993, pág.  364-365.

[8] 1. Qualidade ou condição daquilo que se caracteriza pela multiplicidade, pela coexistência de diferentes aspetos; 2. Posição teórica ou situação prática em que se admite uma pluralidade de opiniões ou de comportamentos no seio de uma mesma coletividade organizada; 3.POLÍTICA sistema político em que se reconhece o direito à liberdade de expressão e se permite a criação de diferentes partidos políticos com iguais direitos ao exercício do poder; 4. FILOSOFIA doutrina, oposta ao monismo, que admite que os seres que compõem o Universo não são redutíveis a um princípio constitutivo único.

(https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/pluralismo).

[9] Universidade Católica Portuguesa

[10] Semana de estudos teológicos da UCP, Questão ética e fé cristã. Editorial VERBO 1988. Pág. 20.

[11] Princípios ou fundamentos morais ou éticos que orientam a ação do ser humano.

[12] Ibid (pp. 7-8)

[13] Difícil é educá-los. David Justino. Coordenação Editorial: Relógio D´Água Editores. FFMS e David Justino, Setembro de 2010, pág. 22.

[14] Sign.: “Qualidade ou condição do que é laico, do que é independente de qualquer confissão religiosa; princípio que determina o carácter não confessional das instituições públicas”(https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/laicidade).

[15] Difícil é educá-los. David Justino. Coordenação Editorial: Relógio D´Água Editores. FFMS e David Justino, Setembro de 2010, pág. 25.

[16] Ibid, pág. 24.

[17] Tedd & Margy Tripp, instruindo o coração da criança, 2009 Editora Fiel. Pág. 19.

A Bíblia diz em 1Timóteo 3.15 que a Igreja é casa do Deus vivo “… a coluna e firmeza da verdade.” Este texto lembra-nos que o povo de Deus, e não o edifício onde congregam, é o modelo e o arauto da verdade. Isto é sumamente importante, porquanto, como bons cristãos ortodoxos e conservadores somos conhecedores da nossa declaração de fé; e uma das coisas que sabemos deste documento é que afirma categoricamente, que Deus, na sua natureza, única, santa e trina, é verdadeiro. O SENHOR é o verdadeiro Deus, e o Deus da verdade. Logo, sendo a verdade um atributo da divindade o Senhor não pode mentir (Tt. 1.2 (1) ).

Pela sua graça, o Senhor escolheu promover este tão estimado atributo pela sua Igreja, que é a sua casa. Não digo com isto que os pagãos não sejam conhecedores da verdade ou responsáveis diante dela (2), até porque lidam com a verdade com tanto zelo quanto os cristãos. Ora, a grande diferença entre o discípulo de Cristo e o ímpio, é que o cristão fundamenta toda a verdade em Deus, enquanto o descrente (seja ele ateu, agnóstico, ou seguidor de qualquer outro sistema religioso), fundamenta a verdade nele mesmo e consequentemente tal cosmovisão dá origem ao relativismo, secularismo, igualitarismo e pluralismo. Até adicionaria esta nota, um sistema democrático que se fundamenta no pressuposto de que a verdade é criada e definida pelo homem, porquanto, como alguns creem, este é a medida de todas as coisas, terminará o caos.

Porém, a igreja posiciona-se de maneira radical noutro fundamento, isto é, que Deus é a fonte de toda a verdade. É importante acrescentar, como me foi indicado por um irmão (3) a verdade não é apenas um conceito, mas sim uma pessoa. Por isso, relacionamo-nos com a verdade e não a cogitamos apenas.

(1) “… na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos”
(2) Os homens, usam apenas uma verdade existente neste universo, a que Deus criou. Mesmo que neguem a sua origem. Todos os humanos, quando obedecem à verdade, obedecem à que pertence a Deus. Por outro lado, se negam a verdade, negam a única que existe, a que pertence a Deus (Tt. 1.4).
(3) Bertil Mendes Pereira. Depois de ter lido este parágrafo, graciosamente recordou-me desta maravilhosa e importante verdade (Jo. 14.6).

 

Portanto, é requerido ao povo de Deus ser a coluna da verdade em todas as áreas da vida, incluindo a educação de filhos. Isto requer que os santos, sejam tão militantes contra a mentira, quando esta afeta a educação dos seus filhos, quanto o são contra as heresias que se levantam no seio da congregação. Pois, se o sistema educativo secular catequiza as nossas pequenas ovelhas na mentira, por que razão continuamos a enviá-las para esta instituição “religiosa”? Entendo que este é um ponto controverso, porém o meu objetivo é, pelo menos, estimular os pais que têm os filhos neste sistema a não os enviar de ânimo leve.

Contudo, é extremamente importante reconhecer que divorciar-se da verdade de Deus é abraçar a mentira (4). Não existe meio termo, e negar isto não é dar um tiro no pé, mas na cabeça. Assim escreve Gary DeMar: “A negação de um soberano presume a soberania de outro. Não há exceções. Ao negar que Deus é o único, verdadeiro e independente soberano, o homem reivindica o atributo para si mesmo. (…) A religião majoritária de uma nação determina o currículo educacional a ser controlado pelas autoridades civis.” (5)

(4) “7 – Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; 8 – então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. 9 – Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, 10 – e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 11 – É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira,12 – a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.” 
(2Tess. 2.7-13).
(5) DeMar, Gary. Quem controla as escolas governa o mundo (p. 6). Editora Monergismo. Edição do Kindle.

RESUMO

Educação é adoração, e adoramos pela religião que confessamos, que por sua vez é regida pelo deus em quem confiamos.

Logo, a questão final concernente a este tema é, que “deus” cultuamos?

VÍDEO – parte 1

VÍDEO – parte 2